Naveguei
em águas calmas, sentimentos ao vento...
Uma
viagem-reflexão por águas vividas na minha jornada-vida...
Meu
turbilhão de sentimentos deslizou nas águas do meu rio, foi encontrar meu
mar... meu lar...
Em
meio ao barco de vela, sentimentos alvoroçados, firmo meus pés e a viagem
segue...
O
vento açoita minha face, liberdade, liberdade...
Braços
abertos para um abraço existencial
Desliza
meu barco valente, vai cortando as águas da minha imensidão...
Uma
virada nas velas e lá vou de encontro a um turbilhão de emoções.
Navego
em águas turvas que causam a minha solidão,
Meus
olhos não resistem ao encontro e se lavam nas águas turvas dessa emoção.
Meu
barco é valente e desliza para outras águas, deixa a solidão para trás,
Mas
caímos nas águas doloridas da saudade. Aí que maldade!
A
saudade é tanta que apeta aqui do lado esquerdo, é muita dor.
Saudades
de quem foi morar no céu, no exterior, no estado vizinho, na cidade vizinha,
Na
rua de cima, na rua de baixo, no outro bairro...
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!
Saudade dói. Grita meu coração.
Melancolia
me faz companhia enquanto meu barco desliza nas águas doloridas
Das
saudades que trago em mim.
Viro
vela! Amarro vela! Solto vela! Barco me leva logo para meu mar, meu porto, meu
lar...
As
corredeiras do meu rio me jogam nos braços da desilusão.
Atrevida
me tira para dançar, rodopios aos sons das águas correntes.
Desilusão
não quer me soltar, valsando, valsando, valsando...
Inconstante
sem medidas. Beija minha face, abraça apertado, esbofeteia minha face,
Escarra
em minha cara... que atrevida...
Dá
gargalhadas do meu sonhar... do meu acreditar...
Pisoteia
meu coração valsando em seu mais nobre salão.
Na
triste certeza da desilusão observo meu barco a balançar,
Velas
soltas e descontroladas, preciso meu remo alcançar e aprumar...
Meu
barco é valente e me joga em outras águas...
Meu
rio desagua em meu mar...
Estou
nas doces ondas da esperança,
Que
me convida a sonhar, de novo acreditar...
Encontro
meu porto, meu lar...
Terra
firme, pés no chão e coração em todos os lugares.
Abraço
meu ser existencial, sou conhecimento universal, sorrio e sigo...
Jacinta Santos - 08/12/2020
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